Basicamente é isto que quer realmente dizer, e faz, o governo israelita (e não os israelitas já que cerca de 46% se opõem declaradamente à intervenção, segundo esta notícia), apesar de dizer exactamente o contrário...
Duas notícias, a primeira do Monde Diplomatique e a segunda do Público. (e já agora vejam também esta notícia do público...)
----1ª notícia----
http://pt.mondediplo.com/spip.php?article412
É interessante notar que os comentadores israelitas, como a maior parte dos comentadores da imprensa ocidental, não assinalam a razão mais importante do falhanço do cessar-fogo de seis meses, que durou de 19 de Junho até 19 de Dezembro. Como nos confirmou Khaled Mechaal, chefe da comissão política do Hamas na semana passada, o acordo compreendia, para além do cessar-fogo, o levantamento do bloqueio de Gaza e um compromisso do Egipto em abrir a passagem de Rafah. Ora, não só Israel violou o acordo de cessar-fogo lançando um ataque que matou várias pessoas no dia 4 de Novembro, como os pontos de passagem não foram reabertos senão parcialmente, e o bloqueio foi mesmo reforçado nas últimas semanas. A população, que era largamente favorável ao acordo em Junho, exige hoje uma clarificação: ou a guerra ou a abertura incondicional dos pontos de passagem e o fim da chantagem permanente que permite a Israel matar lentamente à fome (e privar de cuidados de saúde) a população. Esta está certa quando acusa Israel, como relata o sítio Internet da Al-Jazeera em inglês: «Gazans: Israel violated the truce» (Mohammed Ali).
----2ª Notícia----
Raides já fizeram 290 mortos e incursão terrestre pode estar iminente
Gaza: aviação israelita bombardeou túneis na fronteira com o Egipto
28.12.2008 - 16h01 Agências
“A Força Aérea atacou mais de 40 túneis encontrados do lado palestiniano da fronteira. Acreditamos que esses túneis são usados para o contrabando de armas e explosivos e mesmo para pessoas que são enviadas para missões terroristas em outros países da região”, explicou Avital Leibovitch, porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF), em declarações aos jornalistas.
(...)
O Hamas, movimento que controla há ano e meio a Faixa de Gaza, não esconde a existência destes túneis (mostrados já em várias reportagens televisivas), sublinhando que esta foi a forma encontrada pelos palestinianos para ultrapassar o bloqueio israelita ao território. Mais do que armas, afirma, os túneis (que Israel calcula em cerca de 200) são usados para fazer entrar mantimentos no território, onde habitam cerca de 1,5 milhões de palestinianos.
(...)
A aviação israelita continuou os raides aéreos contra a Faixa de Gaza, pelo segundo dia consecutivo, e este domingo bombardeou o sector de Rafah, onde acredita existirem mais de 40 túneis sob a fronteira com o Egipto.
(...)
Apesar daquele que é já considerado o mais violento ataque israelita contra a Faixa de Gaza desde a Guerra dos Seis Dias (1967), as forças do Hamas e de outros grupos armados conseguiram disparar cerca de 80 “rockets” contra o Sul de Israel desde o início da ofensiva, 40 dos quais durante o dia de hoje.
(...)
Foi para pôr fim a estes disparos, retomados após o fim dos seis meses de trégua, no passado dia 19, que Israel lançou a operação surpresa na manhã de ontem.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
sábado, 18 de outubro de 2008
«02. O inimigo é o único responsável pela guerra»

«Arthur Ponsonby já aquando da Primeira Guerra Mundial tinha apontado este paradoxo, que sem dúvida se poderia de resto encontrar em muitas guerras anteriores: cada um dos campos assegurava ter sido forçado a declarar guerra para impedir o outro de pôr o planeta a ferro e fogo.
Cada governo afirmava alto e bom som a aporia segundo a qual por vezes é necessário fazer guerra para pôr fim às guerras. Seria esta vez a última das guerras.»
(...)
«Evidentemente, é sempre o vizinho que é apresentado como o agressor (mas é raro que no momento em que a guerra eclode se saiba claramente quem é o verdadeiro agressor).
De acordo com Luigi Sturzo*, de facto a guerra é desencadeada por aquele dos antagonistas que crê poder ganhá-la segura e rapidamente, contando com a superioridade do seu armamento ou a rapidez da sua ofensiva.
Além disso, o inimigo, o "outro", nunca respeitaria os tratados.
(...)
Realmente, os tratados nunca são sagrados senão para aqueles que têm interesse em valer-se deles e são sempre "pedaços de papel" para os que têm interesse em rasgá-los.
*Este padre antifascista italiano, fundador do Partido Popular Italiano, escreveu, entre outras, uma obra sobre a comunidade internacional e o direito de guerra.»
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