
«Arthur Ponsonby já aquando da Primeira Guerra Mundial tinha apontado este paradoxo, que sem dúvida se poderia de resto encontrar em muitas guerras anteriores: cada um dos campos assegurava ter sido forçado a declarar guerra para impedir o outro de pôr o planeta a ferro e fogo.
Cada governo afirmava alto e bom som a aporia segundo a qual por vezes é necessário fazer guerra para pôr fim às guerras. Seria esta vez a última das guerras.»
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«Evidentemente, é sempre o vizinho que é apresentado como o agressor (mas é raro que no momento em que a guerra eclode se saiba claramente quem é o verdadeiro agressor).
De acordo com Luigi Sturzo*, de facto a guerra é desencadeada por aquele dos antagonistas que crê poder ganhá-la segura e rapidamente, contando com a superioridade do seu armamento ou a rapidez da sua ofensiva.
Além disso, o inimigo, o "outro", nunca respeitaria os tratados.
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Realmente, os tratados nunca são sagrados senão para aqueles que têm interesse em valer-se deles e são sempre "pedaços de papel" para os que têm interesse em rasgá-los.
*Este padre antifascista italiano, fundador do Partido Popular Italiano, escreveu, entre outras, uma obra sobre a comunidade internacional e o direito de guerra.»